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segunda-feira, 9 de março de 2009

O povo antes do lucro

Por Sean Purdy

A crescente crise econômica está criando uma sombra de medo e insegurança para dezenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. O demprego está aumentando, bancos estão tomando as casas de pessoas comuns endividadas e a inflação está aumentando os preços da comida. Governos dizem que o único jeito de resolver a crise econômica é suportar a indústria financeira (que precipitou a crise) e reduzir gastos sociais, isto é, atacar as vítimas da crise.
A maioria da mídia vê o colapso da indústria financeira como um desastre natural, algo preocupante, mas em grande parte inevitável ou como as conseqüências da ganância de alguns maus banqueiros. O que é menos importante é a análise superficial pela mídia sobre as cusas do colapso;o que importa mais é sua solução.
Para a mídia e a classe política a única solução é aceitar arrochos em salário, emprego e serviços públicos e esperar tempos dourados no futuro próximo.
Os movimento sociais, sindicais e estudantis têm que rejeitar firmemente essa solução. A crise não é natural nem a conseqüência de ganância de algumas pessoas e podemos fazer algo para contestar a solução de cima, a “solução” dos que criaram a crise em primeiro lugar.
Nos últimos meses, trabalhadores na França, Estados Unidos, Bolívia, e muitos outros países têm tomado as ruas em greves, protestos, e ações amplas contra ataques nos sindicatos e serviços públicos. O Fórum Mundial Social em Belém do
Pára em janeiro de 2009 concluiu que os movimentos sociais, sindicais e estudantis têm que retomar as lutas não somente contra a indústria financeira, mas contra o projeto neoliberal em si que está forçando o povo a pagar pela crise. Isso significa campanhas contra arrocho salarial, desemprego e reduções em gastos públicos.
Frente a falsa solução da mídia e a classe política, seja no Brasil, África, Ásia, Europa ou América do Norte, os movimentos tem que colocar o povo antes do lucro.

Sean Purdy é professor de História na Universidade de São Paulo e pesquisador visitante na Universidade de Chicago e topou escrever esse texto para a Revista do CAHIS.




Extremismo e razões de Estado em uma guerra sem fim*

por Edson Pedro

Israelenses versus palestinos. Muitos opinam, alguns polemizam, mas uma boa parcela das pessoas não compreende exatamente as origens desse conflito. A maioria das opiniões a respeito da questão geralmente se baseia em posições ideológicas, crenças religiosas ou apaixonadas ligações étnicas com alguma das partes envolvidas. Qualquer discussão envolvendo o tema gera reações apaixonadas. De um lado há os que defendem as ofensivas de Israel, em nome da "defesa preventiva" e da "guerra contra o terror", combatendo os radicais que não reconhecem o Estado judeu, lançando mísseis contra cidades ou planejando ataques terroristas. Do outro estão aqueles que apontam o caráter da longa ocupação israelense nos territórios palestinos e a face pouco humanitária, para não dizer cruel, que o governo dá a essa ocupação, além da inegável superioridade militar. Mas mesmo as avaliações menos comprometidas são capazes de reconhecer injustiças.
A mais recente ofensiva na Faixa de Gaza acirrou os debates a respeito do tema e pela primeira vez parece ter despertado a desaprovação mundial das ações unilaterais do governo israelense.
A História muitas vezes é recuperada, quase sempre com erros grosseiros de interpretação ou manipulações propositais, para justificar guerras longas ou conflitos pontuais. Uma estratégia com conclusões geralmente equivocadas. Os que condenam Israel recuperam o passado recente, fazendo comparações entre o tratamento dos nazistas em relação aos judeus com o de Israel em relação aos palestinos. Já os que desaprovam as ações palestinas e apóiam Israel apelam para o anti-semitismo, afirmando que as agressões de países árabes e a ação de radicais palestinos têm em sua raiz o mesmo objetivo que o Holocausto, ou seja, a aniquilação do povo judeu. Muitas fazes a simples defesa dos palestinos é apontada como um ato anti-semita. Analogias injustas, em que pese a semelhança do sofrimento das populações civis nas duas situações históricas distintas.
O que não parece claro para muitos é que tanto do lado de Israel quanto do lado palestino e de países árabes escondem-se interesses e desejos muito mais complexos. Nessa complexidade reúnem-se a natureza da aliança entre Israel e os EUA, as muitas faces do sionismo, o uso político do apoio da Síria e do Irã à causa palestina, cujas intenções parecem pouco afeitas a uma solução pacífica, entre outras questões. Isso sem falar no extremismo em ambos os lados. Do lado de Israel pode-se apontar a quase inexistência de uma possibilidade de diálogo dos partidos de ultradireita, além de exigências que tornam impossível o estabelecimento de um estado palestino soberano. Nesse cenário, qualquer alusão a um "processo de paz" é meramente uma formalidade linguística.
Do lado palestino, as ações de grupos radicais que incitam a violência como único meio de resistir à ocupação, além do velho discurso de erradição do Estado judeu pelos grupos extremistas como o Hamas, geram obstáculos que travam o caminho para uma paz duradoura. Esta mesma postura dos radicais é usada em Israel para justificar suas ações militares, quase sempre com um saldo sangrento do lado mais fraco. Soma-se a isso a incapacidade dos líderes da Autoridade Palestina de estabelecerer uma união política com o único objetivo de criar um Estado que possa coexistir em relativa paz com Israel.
O muro que separa israelenses e palestinos na Cisjordânia, tomando grande parte do território originalmente destinado à criação do estado àrabe, é mais uma face das polêmicas ações de Israel para supostamente combater ações terroristas. Razões de Estado que sequer levam em conta as resoluções da ONU, recorrentemente ignoradas por Israel com respaldo norte-americano, a respeito da região. O muro do Cisjordânia, a questão das colônias israelenses em territórios palestinos e as constantes violações dos direitos humanos por parte de Israel reforçam a tese dos que afirmam que as autoridades israelenses na realidade ainda não consideram a hipótese da efetiva criação de um Estado palestino.
Como se vê, a questão é mais profunda do que simplesmente a defesa apaixonada de um dos lados. Apontar a brutalidade da última ofensiva militar israelense em Gaza, cujo saldo passa de 900 mortos, não significa apoiar ações extremistas de grupos que resistem a um acordo de paz. Reconhecer o direito de Israel de defender-se de ataques de milicianos palestinos também não deve resultar em um apoio incondicional a uma ofensiva cujo saldo de mortos não pára de crescer, sobretudo entre civis.
Israel parece irredutível em seu objetivo de extirpar o Hamas, mesmo que o "efeito colateral" resulte em centenas de palestinos mortos. Fala-se em bombas de precisão, mas frequentemente os alvos atingem escolas, hospitais e instalações da ONU. Ignorar que o imenso número de civis mortos em Gaza não seja resultado de um massacre e falar em "efeito colateral" não é apenas um erro, mas um ato vergonhoso. A história das guerras indica que as bombas que caem sobre Gaza ajudarão a fertilizar o desejo de vingança por parte dos palestinos, minimizando ainda mais as chances de a região deixar de ser um campo de batalha. Ataques unilaterais com muitas baixas entre civis são um terreno propício para o radicalismo que brota das populações palestinas mais jovens, acuadas e sem perspectiva. Ao se comparar com outras ofensivas histórica deste longo conflito, as previsões não são nada tranquilas. Aos envolvidos ou não só resta torcer para que a paz venha ou que haja sensatez a quem está no comando. É o que o mundo espera.

Edson é formado em Biblioteconomia pela USP e está no quarto ano de História

*Este texto foi orinalmente publicado na seguinte página no dia 13 de Janeiro de 2009.


Eu, professor?

Por Taís Araújo

Quantas vezes ao responder para alguém a faculdade que escolheu prestar você não ouve a seguinte indagação num tom que beira à misericórdia: “ah, mas você vai ser professor?”. Entrar no curso de história parece, para muitas pessoas, estar fadado ao fracasso. Mas não se deixe desanimar!!! O historiador e o professor de história podem cumprir um importante papel na sua sociedade ao realizarem um trabalho que parece fácil à primeira vista: pensar a sociedade em que vivem e transmitir conhecimento, mas que é bem mais complexo do que se imagina.
Aqui na USP, além de professor, podemos exercer as atividades de pesquisa na academia. As pesquisas são um funil, quer dizer, além de toda a barra que enfrentamos no vestibular ainda temos que enfrentar a concorrência e a falta de vagas na hora de pleitearmos uma vaga como pesquisadores. Isso acontece em grande parte por causa do repasse desigual de verbas dentro da universidade. A FFLCH recebe menos dinheiro que outras faculdades, mais voltadas ao mercado e ao interesse das empresas privadas, como as ligadas às ciências exatas. Desse jeito, há menos bolsas de iniciação científica para os alunos daqui do que de outros cursos, assim como menos bolsas de mestrado e doutorado.
Pelo caráter anti-democrático do acesso à pesquisa acadêmica, a maioria dos estudantes de história tornam-se professor, mas esse fato não deve ser encarado com desespero. Ser professor significa transmitir conhecimento crítico, ajudar a expandir o mundo de muitos jovens, impulsionar o sentimento de mudança em muitas pessoas cuja esperança desapareceu a tempos. Estudar as sociedades do passado pode nos ajudar a conhecer outras maneiras de viver que não a atual, que se mostra perversa e difícil para a maioria das pessoas. A memória tem assim um papel transformador quando nos lembra de que nem sempre o mundo foi do jeito que conhecemos. Ajuda-nos a desconstruir discursos e enxergar mais a fundo o mundo ao redor. O conhecimento do funcionamento da sociedade é o primeiro passo para sua transformação.
Ao mesmo tempo, o professor depara-se com uma realidade bastante complicada na rede pública de ensino. São salas superlotadas, falta de laboratórios e de materiais, bibliotecas precárias, violência dentro das escolas, falta de merenda para os alunos, além dos baixos salários, da pesada carga horária que tem que cumprir e da formação incompleta.
Há uma desvalorização imensa do papel do professor, que, num mundo de valores individualistas em que tudo pode ser comprado e vendido, tem o potencial de pensar num outro mundo que não seja movido pelo lucro e pelo dinheiro.
Os desafios são muitos e por isso mesmo que temos que começar a pensá-los agora na graduação enquanto nos formamos e vivemos no espaço acadêmico. Para superar a crise da escola, os primeiros passos são inserir seus problemas dentro do mundo universitário. Assim como se envolver na luta política ao lado dos professores e estudantes da rede pública, reivindicando melhores condições de ensino nas escolas.

Taís é aluna do quarto ano de História


O que é a UNIVESP?

Por Vivian Nani Ayres

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP) é um projeto da Secretaria de Ensino Superior do Estado de São Paulo, assinado pelo então Governador José Serra, no ano de 2008. Este projeto que visa a ampliação de vagas no ensino superior público, assim como a formação de professores para suprir a demanda do ensino fundamental e médio da rede pública, conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo, FAPESP, da Fundação do Desenvolvimento Administrativo Paulista, FUNDAP, e da Fundação Padre Anchieta, FPA, (TV Cultura).
O projeto baseado no ensino à distância (EaD) prevê a formação de professores através de aulas virtuais (internet, canal digital da TV Cultura e um 0800) complementadas por uma porcentagem mínima de aulas presenciais e pelo auxílio de tutores que possam atender os alunos pelo telefone, internet ou pessoalmente. Serão utilizadas as estruturas das três universidades estaduais paulistas – USP, UNESP e UNICAMP – que deverão disponibilizar sua estrutura física e administrativa, além do quadro de professores.
Longe de negar as possibilidades e vantagens da utilização dos meios tecnológicos para o aprimoramento da educação, é primordial que se faça um esforço para avaliar corretamente os termos de tal projeto e suas possíveis conseqüências. Os problemas, que não são poucos, podem ser percebidos na sua própria justificativa – suprir a demanda de professores no ensino público fundamental e médio. Ora, de acordo com uma pesquisa realizada pelo MEC em 2007, com exceção das áreas de física e química, existem mais licenciados do que a demanda para dar aulas em todas as salas de 5ª série ao ensino médio: a demanda é de 725.991 docentes e há 1,4 milhão em exercício. Assim, fica claro que o problema não está na falta de professores, mas sim na falta de infra-estrutura, nos baixos salários e na precariedade das escolas públicas, o que leva os licenciados a optarem pelas escolas particulares ou, até mesmo, outras atividades.
Outra questão de suma importância é referente à qualidade do ensino à distância nos moldes da UNIVESP. Será possível garantir qualidade através da quantidade? Só inicialmente, serão oferecidas 6.600 vagas nas áreas de pedagogia, biologia e ciências, mas é difícil crer que um número maior de professores seja sinônimo de professores qualificados. Sem o acompanhamento presencial, será possível avaliar e suprir as necessidades dos futuros licenciados? É possível formar um professor que foi privado do contato direto entre professor/aluno e aluno/aluno? Será mesmo que os problemas que impedem as pessoas de ingressarem numa boa universidade, como a falta de recursos financeiros, a indisponibilidade de tempo ou a fraca base educacional serão resolvidos por aulas virtuais?
Os problemas que se pretende resolver através da implementação da UNIVESP são reais e bem conhecidos, no entanto, será este o melhor método? Mais uma vez, vemos problemas estruturais sendo “resolvidos” por medidas superficiais. As questões aqui levantadas são apenas iniciais, há muito que se discutir sobre o EaD, pois dentro da lógica das políticas educacionais atuais, este tipo de ensino questionável parece encontrar um campo bem fértil para se estabelecer definitivamente. É uma realidade de todos, não podemos ficar inertes diante de mais um projeto de precarização da educação.

Vivian Nani Ayres é aluna do segundo ano de História assim como diretora da atual gestão do CAHIS.




A atualidade do machismo

Por Taís Araújo e Reinaldo Souza

Lutar contra o machismo no século XXI pode parecer, para muitas pessoas, anacrônico e sem sentido. O discurso mais escutado quando alguém coloca esse debate em pauta é aquele que afirma que não vivemos mais numa sociedade machista, que as mulheres não enfrentam mais preconceitos no ambiente de trabalho, afinal quantas engenheiras e políticas não existem hoje em dia?!
A banalização do tema e a afirmação categórica de que o machismo já está superado é o primeiro indicativo da necessidade de discuti-lo. O termo machismo é uma designação para um conjunto de práticas identificadas como próprias do homem, tanto na sua relação com as mulheres quanto com outros homens, visando a adequação a um determinado padrão de “masculinidade”.
É inegável que, comparando-se a situação da mulher do final do século XIX com a da mulher do final do século XX, esta última goza de maior autonomia sobre sua própria vida e de direitos que aquela não gozava. Entretanto, em vez de, com base nisso, constatar que não há mais sentido discutir o assunto, propomos outra questão: a despeito das conquistas feministas ao longo do século XX e da sua inserção em ambientes outrora concebidos como exclusivamente masculinos, podemos afirmar que vivemos em uma sociedade em que a igualdade de direitos e condições sociais de vida e trabalho entre homens e mulheres existe de fato e, mais do que isso, é aceita como desejável? Uma rápida análise da realidade concreta apontará para uma resposta negativa.
Durante séculos percebemos a ocorrência de inúmeros relatos e citações de homens em relação à inferioridade feminina. As mulheres foram vistas por muito tempo como inferiores, submissas, de pensamento “fraco”, de temperamento “inconstante” e fisicamente incapazes de exercer as funções essenciais para a produção e o sustento da família. O homem venceu pela força e manteve-se no domínio da família por séculos na civilização ocidental.
Um dos grandes expoentes da luta feminista no início do século XX foi o movimento sufragista. Ao reivindicar o direito ao voto, as mulheres questionavam algo mais profundo, qual seja, a própria estrutura social no que tange aos papéis de gênero. Afinal, até então as mulheres eram mantidas alijadas dos assuntos públicos; seu papel social era exclusivamente doméstico, sua atenção deveria estar voltada para a família, papel reforçado pela Igreja e reproduzido por gerações.
Essa situação foi mudada principalmente com a revolução sexual no século XX. Os anos 60 foram o pico dessa transformação. A invenção da pílula anticoncepcional deu controle à mulher sobre a hora de ter filhos. Com a pílula, a mulher poderia escolher a hora de engravidar, independente de seu companheiro. Os hábitos e costumes da juventude também mudaram bastante. Valores como liberdade sexual estavam na cabeça dos jovens da época. Para as mulheres, especialmente, escolher a hora de casar, com quem e em que idade namorar, foi um grande passo cultural.
Percebe-se, pelo breve panorama acima apresentado, que a relativa autonomia que a mulher alcançou no século XX, bem como a quebra de várias das correntes que a prendiam, foi fruto de intensas lutas, com a mulher se colocando como sujeito de sua história. No entanto, algumas amarras se mantém. Apesar da inserção massiva da mulher no mercado de trabalho, a maioria delas continua em postos de menos prestígio e quando ocupam as mesmas funções do homem continuam ganhando menos que eles. A divisão de tarefas do lar, na maioria dos lares, continua desigual, sendo que a mulher é responsável por grande parte delas. É premente, portanto, identificar quais os atuais desafios, quais as bandeiras que devem ser levantadas e quais devem ser deixadas de lado para que se conquiste a plena emancipação da mulher e para a supressão definitiva do machismo.
Assim, parece-nos importante a desconstrução da idéia de gênero como algo natural, apregoando uma suposta “alma feminina” ou “alma masculina”. Gênero não é algo intrínseco a cada ser, mas algo que é construído socialmente. Portanto, saindo dessa idéia “essencialista”, podemos estabelecer relações mais saudáveis. Nesse marco, é importante destacar que a luta feminista não é equivalente ao ódio da mulher pelo homem, mas sim por igualdade de condições e de direitos, não somente de um ponto de vista jurídico, mas humano.
Um outro ponto a ser considerado é a associação entre luta feminista e luta de classes, a opinião de que as questões de gênero devem ser abordadas nos marcos dos modos de produção. Em parte, parece-nos válido tal consideração. É inegável que as mulheres trabalhadoras têm problemas adicionais às mulheres “burguesas”, e que há diferença de classes entre as mulheres, o que está contemplado nas considerações sobre diferenças feitas acima. . No entanto, embora concordemos com a formulação de que o machismo só poderá ser plenamente superado em outro modelo de sociedade, em uma sociedade socialista, isso não implica dizer que não se deve lutar desde já por sua supressão, mas sim que os movimentos feministas devem ser, também, anti-sistêmicos.
Para finalizar, destacamos que o machismo e a delimitação do papel social da mulher numa posição subalterna é uma questão política, mas também (e principalmente) cultural. Portanto, as mudanças no entendimento das questões de gênero e nas relações entre homens e mulheres ocorrem de forma mais lenta que as conquistas políticas que o movimento feminista possa obter. As construções dos papéis sociais e de gênero são reproduzidas por diversas instituições, como a família, a religião e até mesmo a escola supostamente laica, o que reforça sua permanência. Basta observar que muitas mulheres, ainda hoje, consideram normal que o homem trabalhe para sustentar a família e que a mulher cuide da casa e dos filhos. Desse modo, a luta feminista deve ser constante, visando não somente as conquistas políticas, mas sobretudo a conscientização e a desconstrução de arcaicos paradigmas que ainda insistem em reger a nossa vida social.

Taís e Reinaldo são alunos do quarto ano de História